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O Brincar Como Recurso Psicomotor

A Psicomotricidade pode utilizar diversos recursos como instrumentos psicomotores, o brincar é um deles. O brincar é um recurso psicomotor acessível, que proporciona leveza ao processo terapêutico (com planejamento personalizado, oportunizando à criança a superação de eventuais defasagens psicomotoras) ou educacional (preventivamente, acrescentando qualidade ao desenvolvimento infantil e facilitando o aprendizado), porém, precisa estar sempre fundamentado pela Psicomotricidade, por meio da estimulação neurofuncional, para que realmente seja um instrumento psicomotor eficaz e não apenas um passatempo.

Nesse contexto o brincar pode ser livre ou direcionado. Quando livre pode ser instrumento de observação para verificar características como: os interesses, a sociabilidade e o tempo de concentração de cada criança. Quando direcionado oferece recursos específicos relacionados aos aspectos psicomotores: tonicidade, equilibração, esquema e imagem corporal, lateralização, estruturação espaço-temporal, praxia global e praxia fina.

Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), quanto o Ministério da Educação e Cultura (MEC), reconhecem a importância da estimulação no desenvolvimento infantil. De acordo com o MEC, o Programa de Estimulação para crianças é conceituado como conjunto dinâmico de atividades e de recursos humanos e ambientais incentivadores, que são destinados a proporcionar à criança, nos seus primeiros anos de vida, experiências significativas para alcançar pleno desenvolvimento no seu processo evolutivo. No início da infância, o desenvolvimento do cérebro é intenso, devido à plasticidade do sistema nervoso central, onde ocorrem inúmeras sinapses, que se realizam de acordo com a quantidade e a qualidade de estímulos recebidos do meio que se vive.

O brincar acrescenta qualidade ao desenvolvimento psicomotor porque proporciona: exploração de habilidades; aprendizagem prática de conceitos; a oportunidade de escolha, respeitando os interesses e ritmo de cada criança.

Para que o brincar tenha tantos benefícios psicomotores, é necessário o conhecimento da Psicomotricidade e o bom senso, inclusive na orientação dos pais sobre o brincar em casa. Muitas crianças utilizam o vídeo game como principal brinquedo, mas eles proporcionam poucas experiências que levam a criança a construir um conhecimento significativo, com uso funcional, importante em atividades que a criança realiza no dia-a-dia. Assim, podem ser utilizados como recursos complementares para o lazer, com duração de aproximadamente 30 minutos diários. Os jogos sem violência são os mais adequados, pois como essa atividade não exige sociabilidade com outros amigos, a criança pode acreditar que a vontade dela sempre prevalece e essa característica, associada ao estímulo violento, pode trazer dificuldades de convivência durante a vida. O vídeo game utilizado com cautela pode favorecer a concentração, pois associa a atenção e os estímulos sensoriais (visuais e auditivos), mas sobre esse assunto conversaremos no próximo texto.

By Silvia Baltieri 

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