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Letra Cursiva - Um Desafio Psicomotor

Vivemos em uma realidade globalizada, na qual é fundamental transmitir mensagens significativas. O processo de comunicação é muito complexo e tem sua base na infância.

Refletir sobre o desenvolvimento da criança de forma integrada possibilita verificar que as experiências significativas na infância, contribuem para o processo de alfabetização, pois desde o início da vida, a linguagem corporal é composta de gestos, olhares, emoções, vivencias corporais e movimentos que favorecem a comunicação de necessidades e conhecimentos. Eles são pré-requisitos para a linguagem verbal e posteriormente, para organização do pensamento e elaboração da escrita. Existem regras gramaticais que todos precisamos seguir, a elaboração de idéias pode ser auxiliada pela estruturação espaço-temporal, mas cada escrita é um meio de expressão pessoal, por vezes, ao ler um texto, mesmo sem identificação de quem o produziu, sabemos quem é o autor, ou temos idéia se já tivemos contato com textos dele ou não.

A Escrita Engloba Quatro Aspectos:
1º) Linguagem Verbal Adequada – sem infantilizar ou utilizar diminutivos desnecessários e sim com vocabulário correto e diversificado;

2º) Socioculturais - quando vamos a um evento cultural, sobre um tema que desconhecemos e a linguagem é técnica, não conseguimos contar o conteúdo abordado, pois ele está distante de nossa realidade, portanto, é fundamental que as informações ofertadas para as crianças sejam compatíveis com as vivências delas e adequadas à compreensão que elas podem ter em cada faixa etária;

3º) Função Simbólica - a escrita e a leitura são processos concomitantes, pois associam símbolo e significado, não existe criança que escreve mas não lê, o que existe é o copista, já que é possível copiar um texto em Mandarim e não entender nada;

4º) Psicomotores - concentração, postura adequada, controle de força ao escrever (apenas para sustentar o movimento, sem "pesar" o lápis sobre o papel), ritmo, dominância lateral definida, lateralidade, orientação espacial, sucessão temporal para as seqüências gráficas, praxias global e fina.

Para que a alfabetização seja "vivenciada pelo corpo", na Psicomotricidade utilizamos os glisses (formas que estão relacionadas aos movimentos solicitados pelas letras cursivas) com diversos recursos sensoriais. O fruto do processo psicomotor é a movimentação refinada para a escrita, que tem como terminologia a "grafomotricidade" e é o ponto máximo do desenvolvimento psicomotor.

Utilizar apenas cadernos de caligrafia não resolve o problema, o treino sem consciência e sem significado, não proporciona que a criança aprenda realmente a transferir a escrita adequada para as diversas situações de sua realidade. O parâmetro correto, a prática, e a orientação ao aluno/paciente a fazer sempre melhor, são fundamentais para seu bom desenvolvimento. Atualmente a falta de legibilidade da escrita é uma das conseqüências da substituição do caderno pelo computador, porém, durante o período escolar, a escrita continua sendo de grande importância na vida da criança.

No processo de alfabetização a letra bastão costuma ser mais utilizada, pois mantêm a individualidade de cada letra (mesmo na composição de palavras) e por exigir habilidades motoras mais simples, porém a escrita cursiva também pode ser oportunizada como referência, já que o circulo é a forma primária, a base de muitas letras cursivas, sempre com os códigos gráficos associados aos sonoros correspondentes.

Diferença importante entre letra bastão e a cursiva:
A letra bastão fragmenta a escrita, pois quando escrevemos uma letra como a H, tiramos o lápis três vezes do papel, possibilitando pontos de dispersão;

A letra cursiva propicia a escrita continua durante cada palavra, podendo contribuir para linearidade do pensamento. Também proporciona maior rapidez, mas solicita maturidade cognitiva associada aos movimentos refinados.

Não se deve antecipar o processo de ensino da escrita, é possível oportunizar o contato com as letras e atentar para o interesse que as crianças demonstram, mas a exigência de que a criança comece a escrever antes de ela ter a maturidade cognitiva (compreensão) e habilidades motoras necessárias (coordenação motora, discriminação visual e organização espacial), pode resultar em frustração, o que provavelmente comprometa o sucesso escolar no futuro.

O fracasso escolar começa quando a criança percebe que não acompanha o ritmo escolar e apresenta baixo rendimento escolar. O impacto da disgrafia - a escrita incompreensível - na vida das pessoas vai além do senso estético. Quem sofre deste distúrbio pode ser tachado de desleixado ou problemático.

A escrita adequada, incluindo a letra cursiva, é uma resposta à estimulação psicomotora adequada. Quando o desempenho da criança não é o esperado, é preciso valorizar o que ela tem de melhor e criar possibilidades para superação dos desafios. A partir dos sete anos, é preciso ficar mais atento às dificuldades relacionadas à escrita e possivelmente encaminhar para uma avaliação psicomotora personalizada, pois as exigências aumentam a cada ano escolar e o aluno precisa administrar a escrita e o conteúdo simultaneamente.

By Silvia Baltieri 

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